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Emoji com olhos de corações e tarja na boca.

ABAIXO A BAJULAÇÃO!

Tempos atrás eu me dedicava a postar meus trabalhos nas redes sociais porque eu achava que gostariam de ver. Lá existem os seguidores e, se me seguem, deve ser porque gostam, deduzi. Mas, com o tempo, senti que as interações diminuíam ou eram rasas e/ou automáticas. Depois vi isso pessoalmente. Gente elogiando um ou outro trabalho meu mal tendo visto – e, às vezes, querendo algo em troca.

Pensei em não postar mais, afinal, quem se importa? Eu amo o que faço, mas não faço só porque amo. Esses trabalhos que exponho são como sinais enviados na esperança de que encontrem alguém que os decodifique e possamos estabelecer uma conversa. É algo do meu universo, ninguém é obrigado a aceitar esse convite. Não estou me exibindo em busca de engajamento, curtidas, likes. Não vou agradar a todos, nem tenho essa intenção. A ideia é encontrar aqueles que de algum modo se identificam com essas minhas reflexões, não convencer quem não concorda (mas, se isso acontecer, tudo bem).

A minha bronca aqui é com aqueles que NÃO gostam ou não se importam com o que faço mas perdem tempo dizendo que gostam. É uma atitude que sempre vem com segundas intenções e joguinhos desse tipo me irritam. Elogios não me compram. Eu me dedico verdadeiramente em cada trabalho e o que eu quero através deles, que seja igualmente autêntico. Seja o interesse ou o desinteresse. Não me venha com elogios se depois vai me tratar com descaso. Cale a boca se o seu olhar, disfarçado de admiração, é morto.


Carranca verde com expressão de raiva, olhos laranja, mostrando grandes dentes.

Se não for ver, nem olhe.

Em continuação, não quero que finja que gosta, não quero que compre “para ajudar”, não estou pedindo esmola. Eu não quero perder nem o meu tempo nem o seu. Venha apenas se algo aqui reverberou aí. Não reverberou? Sigamos cada qual o nosso caminho sem encrencas.

Caso ache que estou sendo grossa, a ideia é meio que essa mesma. Uma cara feia na tentativa de espantar os folgados porém, também, uma espécie de teste: se você não consegue lidar com o meu ríspido, por que quer o que é uma gracinha? Por que só quer ver um dos meus aspectos? “Seus desenhos são lindos, mas sua crítica é irritante”, dizem. Mas é com essa mesma crítica que exijo de mim. Sem ela não haveria tais desenhos, sem ela não haveria eu. Há algo que é lindo mas também contém monstros e uma coisa não existe sem a outra. Se não quer me ver por completo, não olhe. Se não vai dar atenção, nem comece. “Se não vai me oferecer verdadeira companhia, não me roube a solidão” – parafraseando alguém por aí.

A carranca é um amuleto contra o mau-olhado e nesse balaio eu incluo não só os olhares invejosos, mas também os olhares falsos, bajuladores, interesseiros, viciados, julgadores, de pena… Mas que seja também um talismã, atraindo o bem-olhar, para que eu aviste de longe e possa evitar os charlatães.


Círculo vermelho com um olho, com um riscos verdes na pupila, como uma mira. Um segundo olho dentro do primeiro com a pupila formada por vários círculos concêntricos, como um painel de tiro ao alvo.

O alvo é ver.

Primeiro: só olhe se quiser ver. Segundo: se olhar, que seja honesto. Se não gostou, não precisa continuar olhando. Estou tentando contato, mas não qualquer um. Terceiro: não quero forçar a vista, nem a minha nem a sua, mas eu proponho um exercício: ainda que haja mensagens que quero transmitir, procure prestar atenção mais a como você olha/interpreta do que para o quê você olha. Procure olhar além das máscaras, através das aparências e dizer que lentes você está usando. O objetivo é o subjetivo. O alvo é a mira.

Você pode estar só de passagem, espiando, ou querer demorar-se. Fique à vontade. Algo aqui falou contigo? Você concorda ou discorda? Você não precisa me dizer, mas pode, se quiser. Não é um teste, não estou te avaliando. Eu gostaria de ouvir as histórias que os meus desenhos criaram em você.

Entretanto, ainda que o objetivo seja o subjetivo, é um subjetivo tido a partir de outro. E um não deve se sobrepor ao outro. É preciso tentar enxergar os dois sem distorções e buscar interseções. Do encontro desses universos, conversas.

E, daí, se achar que mais universos podem achar interessante, pode compartilhar. Se lembrar de dar os créditos, melhor ainda. Mas é claro que não terei como saber, a menos que você me conte. Agora, se for me contar qualquer coisa, que seja sincero.



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