Tempos atrás eu me dedicava a postar meus trabalhos nas redes sociais porque eu achava que gostariam de ver. Lá existem os seguidores e, se me seguem, deve ser porque gostam, deduzi. Mas, com o tempo, senti que as interações diminuíam ou eram rasas e/ou automáticas. Depois vi isso pessoalmente. Gente elogiando um ou outro trabalho meu mal tendo visto – e, às vezes, querendo algo em troca.
Pensei em não postar mais, afinal, quem se importa? Eu amo o que faço, mas não faço só porque amo. Esses trabalhos que exponho são como sinais enviados na esperança de que encontrem alguém que os decodifique e possamos estabelecer uma conversa. É algo do meu universo, ninguém é obrigado a aceitar esse convite. Não estou me exibindo em busca de engajamento, curtidas, likes. Não vou agradar a todos, nem tenho essa intenção. A ideia é encontrar aqueles que de algum modo se identificam com essas minhas reflexões, não convencer quem não concorda (mas, se isso acontecer, tudo bem).
A minha bronca aqui é com aqueles que NÃO gostam ou não se importam com o que faço mas perdem tempo dizendo que gostam. É uma atitude que sempre vem com segundas intenções e joguinhos desse tipo me irritam. Elogios não me compram. Eu me dedico verdadeiramente em cada trabalho e o que eu quero através deles, que seja igualmente autêntico. Seja o interesse ou o desinteresse. Não me venha com elogios se depois vai me tratar com descaso. Cale a boca se o seu olhar, disfarçado de admiração, é morto.
Em continuação, não quero que finja que gosta, não quero que compre “para ajudar”, não estou pedindo esmola. Eu não quero perder nem o meu tempo nem o seu. Venha apenas se algo aqui reverberou aí. Não reverberou? Sigamos cada qual o nosso caminho sem encrencas.
Caso ache que estou sendo grossa, a ideia é meio que essa mesma. Uma cara feia na tentativa de espantar os folgados porém, também, uma espécie de teste: se você não consegue lidar com o meu ríspido, por que quer o que é uma gracinha? Por que só quer ver um dos meus aspectos? “Seus desenhos são lindos, mas sua crítica é irritante”, dizem. Mas é com essa mesma crítica que exijo de mim. Sem ela não haveria tais desenhos, sem ela não haveria eu. Há algo que é lindo mas também contém monstros e uma coisa não existe sem a outra. Se não quer me ver por completo, não olhe. Se não vai dar atenção, nem comece. “Se não vai me oferecer verdadeira companhia, não me roube a solidão” – parafraseando alguém por aí.
A carranca é um amuleto contra o mau-olhado e nesse balaio eu incluo não só os olhares invejosos, mas também os olhares falsos, bajuladores, interesseiros, viciados, julgadores, de pena… Mas que seja também um talismã, atraindo o bem-olhar, para que eu aviste de longe e possa evitar os charlatães.
Primeiro: só olhe se quiser ver. Segundo: se olhar, que seja honesto. Se não gostou, não precisa continuar olhando. Estou tentando contato, mas não qualquer um. Terceiro: não quero forçar a vista, nem a minha nem a sua, mas eu proponho um exercício: ainda que haja mensagens que quero transmitir, procure prestar atenção mais a como você olha/interpreta do que para o quê você olha. Procure olhar além das máscaras, através das aparências e dizer que lentes você está usando. O objetivo é o subjetivo. O alvo é a mira.
Você pode estar só de passagem, espiando, ou querer demorar-se. Fique à vontade. Algo aqui falou contigo? Você concorda ou discorda? Você não precisa me dizer, mas pode, se quiser. Não é um teste, não estou te avaliando. Eu gostaria de ouvir as histórias que os meus desenhos criaram em você.
Entretanto, ainda que o objetivo seja o subjetivo, é um subjetivo tido a partir de outro. E um não deve se sobrepor ao outro. É preciso tentar enxergar os dois sem distorções e buscar interseções. Do encontro desses universos, conversas.
E, daí, se achar que mais universos podem achar interessante, pode compartilhar. Se lembrar de dar os créditos, melhor ainda. Mas é claro que não terei como saber, a menos que você me conte. Agora, se for me contar qualquer coisa, que seja sincero.